Transtornos Alimentares e Glúten



Um histórico de diversos desconfortos ao consumir alimentos com glúten, que muito impacta no bem-estar, até o diagnóstico de doença celíaca, provoca aos celíacos uma relação desconfortável com a comida. Isso devido ao medo: de sentir dor, de passar mal, de não saber se é uma “comida segura”... Essa relação pode tornar-se doentia em alguns casos, levando a transtornos alimentares como anorexia e bulimia. Veja os principais sinais desses transtornos:

Clappison et al. (2020) reuniram diversos estudos e concluíram que, dentre diversas outras alterações psiquiátricas, havia um risco aumentado para esses transtornos em indivíduos com doença celíaca. Os transtornos alimentares, além do aspecto da relação com a comida em si, podem estar associados com uma possível manifestação extraintestinal da doença celíaca, ou seja, sinais e sintomas que não são percebidos no trato gastrointestinal.

Isso porque o glúten, segundo a literatura científica, pode causar danos ao sistema nervoso mediante uma combinação de anticorpos, complexo-imune e toxicidade direta, gerando transtornos comportamentais e psiquiátricos, como depressão, ansiedade e transtornos alimentares.

A própria modificação da alimentação, todavia, com a necessidade de exclusão total do glúten, está diretamente relacionada a práticas alimentares doentias. Isso porque, levar adiante um padrão alimentar livre de glúten, é muito difícil, impondo grandes mudanças na rotina diária.

Assim, cria-se uma grande barreira entre o celíaco e a alimentação. Afinal, algo que era para ser prazeroso e normal do dia a dia, torna-se um peso. A preocupação constante com o que está sendo consumido, o fato de não poder comer aquilo que era habitual de sua vida e que é comum em ter em eventos sociais impacta no emocional.

A dieta pós-diagnóstico marca um novo momento da vida e as exigências do tratamento propiciam, em muitos casos, um sentimento de perda, em diversos âmbitos: social, familiar e psicológico. Deixar de lado os alimentos que se consumia ao longo da vida e que fazem parte de reuniões entre amigos e familiares é algo difícil e que muito impacta na vida do celíaco.

Por isso, é fundamental buscar ajuda profissional! Procure um psicólogo para autoconhecimento e auxiliar na melhora do quadro emocional, um nutricionista para auxiliar na sua alimentação, mostrando como essa pode ser maravilhosa mesmo sem o glúten, redescobrindo-se na cozinha, além de auxiliar no consumo adequado de nutrientes. Lembre-se, celíaco, você não está sozinho

Referências

CATÃO, L.G.; TAVARES, R.L. Técnicas da Nutrição Comportamental no Tratamento dos Transtornos Alimentares. Revista Campo do Saber, v. 3, n. 1, p. 244-261, 2017.

CLAPPSION, E. et al. Psychiatric Manifestations of Coeliac Disease, a Systematic Review and Meta-Analysis. Nutrients, v. 12, n. 1, p. 142, 2020.

LERNER, A. Navigating the Gluten-Free Boom: The Dark Side of Gluten Free Diet. Frontiers in Pediatrics, v. 7, p. 414, 2019.

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